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EUA ganham mais de mil milionários por dia; Brasil lidera na América Latina com 433 mil

Cerca de 379 mil milionários (em dólar) surgiram nos Estados Unidos no ano passado, ou seja, mais de mil por dia, segundo o Relatório Global de Riqueza 2025, divulgado nesta quarta-feira (18) pelo banco suíço UBS.

O estudo analisou 56 países, que juntos representam mais de 92% da riqueza mundial. Ao fim de 2024, os EUA totalizavam aproximadamente 23,8 milhões de milionários, o maior contingente do mundo, superando com folga os números da Europa Ocidental e da Grande China, somados.

No recorte da América Latina, o Brasil lidera o ranking, com cerca de 433 mil milionários em dólar no total, seguido pelo México, com 399 mil. De todos os países analisados, o Brasil está em 19º lugar.

Em todo o mundo, 684 mil pessoas entraram para o grupo de milionários em 2024, segundo o relatório, o que representa um crescimento de 1,2% em relação ao ano anterior.

A riqueza global também voltou a subir, dando continuidade à recuperação iniciada em 2023, após uma queda em 2022. A alta foi de 4,6% em 2024, levemente acima do crescimento registrado no ano anterior (4,2%).

O avanço, no entanto, foi desigual entre as regiões analisadas. As Américas — especialmente a América do Norte — foram responsáveis pela maior parte do crescimento, com uma expansão superior a 11%, impulsionada pela estabilidade do dólar e pelo bom desempenho dos mercados financeiros.

Além disso, ter muitos milionários não significa, necessariamente, que a população de um país seja rica. No Brasil, a desigualdade de riqueza é outro ponto que chama atenção no relatório. (leia mais abaixo)

💡 Para o levantamento, os autores consideraram como “riqueza” o valor de todos os bens financeiros (dinheiro, investimentos) reais (como imóveis e veículos), descontando as dívidas. Isso significa que a casa própria, por exemplo, entra no cálculo.

Veja abaixo o ranking dos 25 países com mais milionários no mundo.

  1. Estados Unidos: 23,831 milhões
  2. China continental: 6,327 milhões
  3. França: 2,897 milhões
  4. Japão: 2,732 milhões
  5. Alemanha: 2,675 milhões
  6. Reino Unido: 2,624 milhões
  7. Canadá: 2,098 milhões
  8. Austrália: 1,904 milhões
  9. Itália: 1,344 milhões
  10. Coreia do Sul: 1,301 milhões
  11. Países Baixos: 1,267 milhões
  12. Espanha: 1,202 milhões
  13. Suíça: 1,119 milhões
  14. Índia: 917 mil
  15. Taiwan: 759 mil
  16. Hong Kong (RAE): 647 mil
  17. Bélgica: 549 mil
  18. Suécia: 490 mil
  19. Brasil: 433 mil
  20. Rússia: 426 mil
  21. México: 399 mil
  22. Dinamarca: 376 mil
  23. Noruega: 348 mil
  24. Arábia Saudita: 339 mil
  25. Singapura: 331 mil

Brasil lidera em milionários, mas tem baixa média de riqueza e alta desigualdade

Apesar de abrigar o maior número de milionários em dólar da América Latina, o Brasil está longe dos primeiros lugares quando o assunto é riqueza média por adulto, que considera o patrimônio total do país dividido pelo número de adultos.

Por aqui, esse valor é de cerca de US$ 31 mil (ou R$ 170 mil), abaixo da média da própria América Latina (US$ 34,7 mil) e muito distante dos países mais ricos, como Suíça (US$ 687 mil) e EUA (US$ 620 mil).

Além disso, o relatório destaca que “os valores médios não dizem nada sobre como a riqueza está distribuída”. Uma grande quantidade de milionários, como no caso do Brasil, pode puxar a média para cima.

Por isso, os autores sugerem observar a riqueza mediana, o ponto exato de uma lista na qual metade da população adulta de um país tem mais riqueza e a outra metade, tem menos. Nesse cálculo, a riqueza no Brasil cai para cerca de US$ 6.482 por adulto.

O Brasil também aparece no relatório com o maior índice de desigualdade de riqueza entre todos os países pesquisados.

O Índice de Gini, usado para medir desigualdade, foi de 0,82 em 2024 no Brasil, empatado com o da Rússia. A Eslováquia, o último país no ranking da desigualdade, ficou com um coeficiente de 0,38, segundo o levantamento.

🔎 Esse índice é diferente do divulgado pelo IBGE no mês passado. Segundo o órgão brasileiro, o Gini do rendimento domiciliar per capita no país caiu para 0,506 em 2024, o menor da série histórica. Mas o relatório do banco UBS não considera apenas o rendimento, e sim todo o patrimônio de uma pessoa.

Brasil é o 2º país com maior volume previsto de heranças

Nos próximos 20 a 25 anos, o mundo deve testemunhar uma transferência de riqueza estimada em mais de US$ 83 trilhões, segundo o Global Wealth Report 2025.

A maior parte desse valor — cerca de US$ 74 trilhões — ocorrerá de forma “vertical”, ou seja, entre gerações (como de pais para filhos). Os US$ 9 trilhões restantes dizem respeito a transferências “horizontais”, que geralmente acontecem entre cônjuges.

Embora os Estados Unidos liderem com folga esse movimento global, com mais de US$ 29 trilhões previstos em transferências, o Brasil aparece na segunda posição do ranking mundial, com projeção de quase US$ 9 trilhões ao longo das próximas décadas.

Segundo o relatório, o principal motivo para essa estimativa tão alta no Brasil é o tamanho da população com mais de 75 anos, que é quase o dobro da registrada no México, por exemplo. Esse dado indica um volume expressivo de patrimônio acumulado que deve ser transmitido às próximas gerações no país.

FONTE: G1

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